Por: Denys Presman

Hoje é dia. Flamengo e Corinthians. Jogão, sempre jogão. Repito: hoje é dia. Porém, com uma motivação extra que deixa o próprio jogo em segundo plano. Petkovic vai dizer adeus ao futebol. É momento para estar no estádio… pra torcer por um último gol… pra gritar “fica fica”.. para lembrar.

Merecia o Maracanã….

Eu vou estar lá. Como estive em outras despedidas de grandes craques. Aliás, sempre que um jogador deste nivel abandona o futebol é inevitável não pensar que parte da nossa vida passou. Dizer adeus não é fácil. Nem pra quem vai, nem pra quem fica, no caso, nós, os torcedores.

Têm jogadores que marcam a nossa vida. Ficou na  minha memória o momento que alguns destes pararam. Como do Junior, o Maradona, o Roberto Dinamite, o Platini, o Zidane etc.

Nem todos os grandes tiveram este último jogo para dizer adeus. De moleque lembro da comoção quando o Leandro parou de jogar. Quando Socrates encerrou a carreira, mostrava que a geração de 82 começava a chegar ao fim. Romário ainda teve a corrida pelos 1 mil gols antes de dizer adeus. E, pessoalmente, senti falta do Mozer ter um ultimo jogo pelo Flamengo.

Entre todos os grandes nomes,  me vem a cabeça a despedida do Zico. Que foi diferente de todas as outras. Naquele Maracanã lotado, triste, 100 mil pessoas chorando, em um jogo Flamengo x Resto do Mundo.

– Fica, fica, fica.

A música “Saudades Do Galinho” do Moraes Moreira pairava.

– E agora como é que eu fico nas tardes de domingo sem Zico no Maracanã.

Ali não era o Zico que encerrava sua carreira, era como se cada um dos milhões de rubro-negros,  porque não dizer, de brasileiros, estivessem encerrando parte da sua carreira de torcedor.

Acho que talvez somente o Pelé, o Garrincha, tivessem deixado este gosto no povo. Não sei, não vivi.

E hoje, o Pet vai encerrar a carreira dele e o juiz vai mandar o jogo seguir. A nossa carreira continua. Mas na memória e nas palavras fica o agradecimento ao Petkovic por tudo que ele fez em campo.

 

* A música Saudades Do Galinho, do Moraes Moreira, foi composta no momento em que o Zico se transferiu para a Udinese.

 

Gol do Pet

 

Zico, o Camisa 10 da Gávea

 

 

* Denys Presman é  jornalista e brasileiro

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Paixão de Cristo

Posted: 19th maio 2011 by Denys Presman in Crônicas
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Sexta-feira da Paixão.

Um rapaz e uma moça em um motel.

Carinhos, beijos, sexo, muito sexo.

Em um breve intervalo, eles ligam a televisão. Sessão da Tarde na Páscoa. O filme era sobre a vida de Jesus Cristo.

A moça olha para a TV, começa a assistir.

Interessada, ela se vira para o rapaz e pergunta se ele já viu.

Ele confirma.

Curiosa, a moça pergunta:

– E como termina?

Assustado, o rapaz não perde tempo.

– O cara de barba morre no final. Agora, desliga a TV e vem cá.

(Pano rápido, muito rápido)

 

* Denys Presman é  jornalista e brasileiro

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O eu

Posted: 17th maio 2011 by Denys Presman in Crônicas, Poesia

Tenho andado meio em primeira pessoa. Isso não é feio, nem bonito, nem certo, nem errado. Apenas é.

Em alguns momentos, a regra de escrever o mundo em terceira pessoa precisa ser quebrada. Senão a realidade escapa e a gente para de sentir.

O eu nem sempre é individualista.

Estar em primeira pessoa não significa ego, egoísmo ou afins.

O eu é também sujeito de ações na vida do ele, ou eles.

No momento, eu ando querendo escrever o que eu penso, o que eu vivo, o que eu tenho vontade.

É, é bom ser primeira pessoa de vez em quando.

Principalmente na vida do ela – dela.

E melhor ainda quando a gente conjuga isso.

 

* Denys Presman é  jornalista e brasileiro

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Pensamento

Posted: 6th maio 2011 by Denys Presman in Crônicas, Poesia
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Sentado à beira da praia. Pensava. Pensava.

Seu pensamento ia longe. E pensava que os pensamentos o podiam levar para qualquer canto.

Pensava e pensando não havia limitações.

Pensava e pensando não havia onde não pudesse ir.

De repente parou. E pensou.

E pensando viu que escolhia sempre ir ao mesmo lugar: até ela

 

Denys Presman anda pensando demais.


A união de frases

Posted: 7th abril 2011 by Denys Presman in Crônicas
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Por: Denys Presman

Entre uma frase e outra tem sempre um ponto e um espaço. Por mais juntas que as sentenças estejam, elas são diferentes. Às vezes se completam, às vezes se contradizem. De vez em quando, uma frase ligada a outra não faz o menor sentido, mesmo assim o som gostoso de ouvir e a métrica consagram a união.

A diferença é clara e maiúscula. Já na primeira letra a sentença chega mostrando decisão. É tudo personalidade. Cada um tem a sua. Há quem veja como separação e distancia com parágrafos. Há quem veja como interação, percebe que são distintas, porém, não separadas. Há quem não veja nada, que está entretido demais com a vida que surge do texto.

Um bom conjunto simplesmente acontece. Semelhanças? Diferenças? Até mesmo grandes variações do tempo verbal. Tanto faz. Não importa. O que vale é a qualidade das palavras que formam cada uma das frases. Isso é o que faz um texto ser feliz para sempre.

 

* Denys Presman é apenas jornalista e brasileiro.

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Vidência

Posted: 20th março 2011 by Denys Presman in Crônicas
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Surpreso, Custódio comentou com sua esposa:

– Maria, acho que estou lendo seus pensamentos.

Maria estranhou o comentário. Hesitou. Porém, acabou por perguntar:

– E em o que é que eu estou pensando, homem?

– Você está pensando em tudo que nós vivemos juntos, não está?

– Estou.

-Eu sabia. Eu sabia!

Custódio não consegue esconder o seu contetamento. Maria fica calada, esperando por mais.

– Pensa que a nossa vida foi um horrror, não pensa? Que eu não sou o marido que você desejava. Que você queria viver coisas diferentes. Não pensa?

– Não. Não penso

– Mentira! Não minta para mim, dona Maria.

Maria gela.

– Como você sabe que eu estou mentindo?

– Ora, como? Eu sei ler pensamento. Apenas sei isso.

As lágrimas da esposa descem.

– Você está certo, não tenho como mentir. Eu não aguento mais. Eu quero divórcio.

Divórcio concedido. E o velho Custódio pôde viver tranquilo com a bela vidente com quem há algum tempo mantinha um ardente caso de amor.

 

* Denys Presman é apenas jornalista e brasileiro.

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Um refil pelo amor de Deus

Posted: 10th março 2011 by Denys Presman in Poesia
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Um passo a frente,

um passo atrás,

a vida humana não me satisfaz.

Mas não ando com as pernas,

ando com as letras.

Os meus lábios são canetas

que assinam uma confissão.

Ainda não, ainda não.

Faltou tinta.

 

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Julia – Filosofia no boteco

Posted: 10th março 2011 by Denys Presman in teatro
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O texto abaixo é uma passagem da peça “Julia”, de Denys Presman.

Clique aqui para ler a peça na íntegra.

Diego – Eu vou morrer e daí? A morte não me diz muita coisa. Eu acredito em algo mais. Não sou só um período cronológico. Uma linha reta entre os pontos A e B.

Grego – (quase que reclamando) Ah! Vai começar com aquele papo de novo?

Diego – O que posso fazer? Eu sou aquilo que eu acredito. Eu vivo o que eu acredito.

Felix – Tá bom.

Diego – É sério!

Grego – Diego, você diz que acredita, fala de tanta coisa e tá aqui com a gente… bebendo. Normalmente na farra. Que conduta, hein!

Diego – Cerveja não me faz um cara pior ou melhor.

Felix – (rindo) Te faz um cara mais bêbado.

Diego – Bêbados também fazem o bem.

Grego – (irônico) Bonito isso!

Diego – Você quer o quê? Isso é um papo de bar, só vale argumento de merda.

Grego – Sério que não te entendo. Um esotérico bebum. Faz aí um mantra da cerveja. Faz. Como é que é mesmo?

Felix – Birita (mmm) Birita (mmm) Birita (mmm)

Grego – Um farrista com uma bíblia na mão. Isso não pode não!

Diego – Grego, teu copo tá vazio, isso é que não pode!

Felix – (Chamando o Garçom) Ô Roberto Carlos…. Cerveja!

Diego – Agora, de fato, não sou um religioso ou um esotérico.

Grego – Você sempre com estes seus papos.

Diego – A verdade é que acredito em muitas coisas. Viver para religião não é uma delas. Acredito no bem e no mal. E na escolha de fazer qualquer um dos dois.

Felix – E como se escolhe? Como eu devo saber se devo fazer o bem ou mal?

Diego – Acho que depende mais do seu objetivo.

(Garçom trás uma cerveja)

Grego – (para o Garçom) Quanto tá o jogo?

Garçom/Roberto Carlos – Começou não, patrão.

Felix – Como assim, depende mais do meu objetivo?

Grego – Depende do que você quer da sua vida.

Felix – Não sei não….

Diego – É isso que eu penso. Me diga, Felix, o que você quer da sua vida?

Felix – O mesmo que todos querem.

Diego – E o que é isso?

Grego – Mulheres, iates, dinheiro….

Felix – (Rindo) É isso aí. Devo fazer o mal para conseguir isso tudo?

Diego – Que tipo de mal?

Felix – Sei lá. Jogo, drogas, prostituição, sair por aí dando golpes do vigário? Posso?

Diego (Rindo) O que você acha?

Felix – (brincado) Não sei… (pensado um instante) É, não sei.

Diego – O que vai te fazer decidir isso são seus valores pessoais.

Grego – E você Diego, qual o seu objetivo?

Diego – Quero o mais difícil. O mais improvável dos finais para qualquer homem.

Felix – E qual seria?

Diego – Quero ser feliz.

Grego – Só isso?

Diego – E é pouco?

Felix – E como se consegue isso?

Diego – Não tenho idéia. Acho que por tentativa e erro.

Clique aqui para ler a peça na íntegra.

 

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Um pouco de Sade

Posted: 9th março 2011 by Denys Presman in Filosofia, teatro
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O texto abaixo é uma passagem da peça “Sade, o Marquês”, de Denys Presman.(De 1996). Inspirado no livro de Guy Endore “Sade – O santo diabólico”

Clique aqui para ler a peça na íntegra.

(Em cena, Madame Montreuil – sogra do Marquês de Sade;  o Marquês de Sade; e Anne – cunhada do Marquês de Sade – com quem ele tinha um caso de amor e era apaixonado.)

Madame – Vocês dois vivem no pecado.  É incesto, é sodomia.

Sade – Não vejo dessa forma,  na verdade não fiz nada de mais.

Madame – Como não? Seduziu Anne.

Anne – Já disse que ele não me  seduziu.

Sade – Não seduzi.

Madame – Não banque o inocente comigo. O senhor pôs estas suas mãos sujas em minha filha Anne.

Sade – E o que há de errado nisso?

Madame – O que há de errado em seduzir a irmã de sua mulher?  É incesto, sabia?

Sade – Sinto muito.  Simplesmente não consigo ver o que há de errado em pedir a uma moça que me ceda certas partes de seu corpo  que eu particularmente desejo…

Madame – Por Cristo!

Sade – Especialmente porque, em troca, estou disposto a ceder-lhe partes de meu corpo de que ela está desejosa.

Anne –  (Irônica) Vê, mãe, não há nada de errado nisso.

Madame – Deus do céu!

Sade – É apenas por prazer.  Não percebe?  Todo  mundo sempre está desejando várias partes do corpo de outra pessoa.  Nada mais natural.  Ocorre por uma variedade de nomes: Casamento,   prostituição, amor, perversão, pecado.  E quando se cede apenas na imaginação, nós chamamos de masturbação.  Não  importa o nome, o que importa é que ocorre.

Madame – Daqui a pouco o senhor vai me falar que também pratica sexo com outros homens. Pervertido! É por pensamentos assim que o senhor foi condenado à morte.

Sade – E qual foi a acusação?

Madame – Envenenamento e sodomia.  Ah, como eu queria vê-lo morrer!

Anne – Mamãe.

Madame – Ele merece, filha.  Merece morrer em nome de Deus.

Sade – A senhora ficaria muito satisfeita com isso, não ficaria?

Madame – Muito.

Sade – Nada faz o homem mais feliz do que matar em nome de Deus. Pense nisto: poder abandonar-se aos mais baixos instintos  a serviço de um poder mais alto.  Não pode haver melhor combinação.

Madame – Isso é história sua.

Sade – O maior desejo do homem é derramar sangue e, ao mesmo tempo, sentir-se virtuoso por causa disto.

Clique aqui para ler a peça na íntegra.

* Denys Presman não é sádico, infelizmente, é apenas jornalista e brasileiro.

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E aí? Alguém sabe responder quando é socialmente aceitável falar “seu peito é muito gostoso”?

Não tem uma cartilha para isso. Regras de etiqueta, nem pensar.  O homem que gosta de mulher, que gosta de verdade, vai estar sempre travado, censurado. E censura é considerada crime, algumas vezes pela constituição outras pela psicologia.

Os especialistas têm uma saída para isto, os estudiosos concordam: sinceridade. Mas, na prática, a honestidade afasta.

Imagina no trabalho, em um jantar ou até mesmo em uma lanchonete do McDonald’s (não há confirmação se os peitos que frequentam o Bob´s mereçam este tipo de elogio ou eloquência)… imagina a cena:

– Oi. Sabe… seu peito é muito gostoso. Eu gostaria de colocá-lo em minha boca.

Poucas vezes esta frase deu resultado.

Um intelectual uma vez tentou:

– Seus virtuosos seios, de sinuosos montes, que acredito serem coroados por mamilos rosados, deixam ouriçado o meu sexo.

Não deu outra, foi taxado de bicha.

Mas…  o ponto em questão é um só: belos peitos não tem o direito de ser motivo de elogio.

Há os que digam que sim, peitos devem ser alvo de louvores linguísticos.

Há os que neguem com medo de represálias.

E, bom, há quem não goste. O que não faz o menor sentido.

Em geral a sociedade se omite. Uma pena.

* Denys Presman é apenas jornalista e brasileiro

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