Chuva

Posted: 6th fevereiro 2026 by Denys Presman in Crônicas, Poesia
Tags: , , ,

Por Denys Presman

Limpa chuva.
Leve abaixo
Junto com o meu choro, com as minhas queixas,
O mundo que não me pertence mais.

Leve morro abaixo.
Aterre sentimentos com fundação frágil.
Escorra pelos canteiros e valas as sujeiras que fizeram comigo.
Despeje no fundo do oceano para que a Rainha do Mar cuide de mim.

Chova quando necessário.
Chova desavisada, sem previsões, chova pra mostrar que existe. Simplesmente chova.

Chova como alerta. Se for preciso, troveje.
Faça nos protegermos, fechar a janela para manter nossa casa seca.

Chova de dia, de noite e a tardinha. Chova por chover.
Chova pra nos mostrar que precisamos sempre ficar alertas.

Chuva, chove concentrada
Chove focada
Chove também em terreno fértil
Para cresça de novo a vida
Que precisa de tempos em tempos de um banho para refrescar.

E quando a noite escura passar
E a manhã chegar
Que o cheiro de terra inspire o dia de sol.

Juras

Posted: 5th fevereiro 2026 by Denys Presman in Crônicas, Poesia
Tags: , ,

Por Denys Presman

Sem juras por hoje.
Juro!
Deixo o coração quieto e a caneta tampada.
Caderno fechado.
Aproveito que o computador pifou e as teclas estão caladas.
Juro que não irei ligar, gravar, nem tagarelar no celular, nem digitar ou até mesmo usar figurinhas ou emojis.
Declarar sentimentos? Hoje não.
Amanhã, talvez.
Sem promessas. Sem juras!
Ela não vai deixar de ser especial por uma pausa de um dia. Será?
Mas seria bom ouvir uma reclamação.
“Esqueceu de mim?”
Eu? Quem dera tivesse este controle.
Imagina desligar a incontrolável vontade de você.
Mas as juras não permitem esquecimento.
Só o tempo. E eu não tenho tempo, que passa à revelia.
Talvez um dia eu esqueça mesmo é de jurar.

Choro contido

Posted: 1st fevereiro 2026 by Denys Presman in Crônicas
Tags:

Por Denys presman

A vi triste.
Havia choro contido.
Os olhos pretos derretiam em mel.
Seu lábios trajavam a farda de carcereiro.
Sorrisos trancafiados.
Tudo quieto. Não havia silêncio. Havia surdez para as esperanças prometidas.
Pior que não acreditar é não querer acreditar.

Mas ela não estava errada. Estava abatida. Sofrida. Ganhar batalhas, perder batalhas… Cadê o fim da guerra?
Não veio, não vem, não existe.

Cada dia se engole o choro. Se faz fortaleza, se fortalece. Busca força no olhar de quem faz o seu olho brilhar. O mel é doce. O preto é infinito. Um barulho explode. Ela não está só! Acredita! Quer acreditar! É real! É aliança! E assim, foge o sorriso e vem razão: trabalhar, conquistar, amar, ser feliz.

“Sorriso-riso”

Posted: 19th janeiro 2026 by Denys Presman in Crônicas
Tags: ,

por: Denys Presman

Engraçada! Sim, é dela o “sorriso-riso”, rindo de bobeira da bobeira própria ou alheia. Engraçado mesmo é quem não sorri de volta. Não é rir. É sorrir. Pois o gracejo dela encanta.  

Nutre aversão tímida a elogios. E assim, cora. Vermelha, responde com sua essência: com risos. Provavelmente nervosos. Entende que é galanteio. Entende que está sempre sujeita a cantadas. E ao invés de dizer sim ou não simplesmente solta um Pskwowkwokw. E segue adiante, deixando a todos na vontade dela.

Vive batalhas. Mas sabe que verso não é espada e ela – embora disputada -não é da disputa. É conciliação. É abraço que se espera. Que rende. É beijo que se quer dar. É loucura comedida de quem quer viver muito para a próxima história.

E quando o sorriso baixa, o olho brilha. O de todos.  

Descarinho

Posted: 19th janeiro 2026 by Denys Presman in Crônicas, frases, Poesia
Tags: , , ,

por Denys Presman

O descarinho é uma medida do foda-se.
É vizinho de porta do descaso e primo irmão do desleixo. Descuido de tantas maneiras. É dessabor.

É acordo quebrado. É dar espelho por riquezas. É feio. É triste.
É, acima de tudo, pouco.

Quem pouco dá, uma hora também deixa de receber, em um ciclo de ação e reação que só leva a karma.

E pasmem, para karma não existe lei do foda-se. Existe apenas carinho.

Descrição

Posted: 9th janeiro 2026 by Denys Presman in Poesia
Tags: , , , , ,

por: Denys Presman

Tudo é você.
Do gosto do café ao gol do Flamengo.
Do cheiro do orvalho, da terra molhada, da água salgada, da areia batida e da batida coco.
É você.
É rio, é mar, é choro e sorriso. É riso, as vezes nervoso.
É mata, é densa, cerrada, intensa.
Felina, é natureza que arranha.
É vento que venta pra perto de mim.
É caipirinha, cachaça.
Jujuba e pipoca.
É muito goiabada.
É pão na manteiga.
Sabor da manhã.
É doce que salga.
É paladar.
É visão.
É noite virada.
É sensação.
A verdade é sua.
Mesmo na farsa.
Tudo é você.
No macro, no micro, no grande, pequeno. No raso e no fundo. No início sem fim.
Os extremos são você!
Que me afastam do centro, que também é você.
É profecia que dita. É rumo, é rota. É destino.
É você.
Tudo é você.

Inquietantes

Posted: 20th agosto 2025 by Denys Presman in Poesia

Por: denys presman

Na vida, nas dores, temos nossos amores…Temores.
Reticentes,
Pendentes,
De regressos urgentes.

Na alma, nas flores, recusam as cores,
São nossos senhores….
Resistentes,
Persistentes,
Sem finais aparentes.

O que dói,
Corrói,
Destrói,
E reconstrói.
Que vivem, revivem, residem…
Inquietantes em nós.

Cenas do Maracanã

Posted: 16th junho 2025 by Denys Presman in Crônicas, Futebol, Rio de Janeiro

Por: Denys Presman

Há 75 anos, nasciam as grandes multidões. Aquela massa de gente, de emoção, que juntas se tornam uma só entidade, um só corpo, que vibra, chora, grita gol, até mesmo faz gols. Surgia o Maracanã. Até então, não havia sequer um lugar onde coubesse o tamanho do amor dos torcedores pelo futebol.

Imagina a loucura que foi. A cidade era euforia. O Brasil sediaria a sua primeira Copa do Mundo. Anos antes, alguém teve a ideia…. E se construíssemos o maior estádio do mundo? Loucura, defendiam uns, já havia São Januário, não era necessário outro grande estádio. A Câmara Municipal do então Distrito Federal pegava fogo. Os vereadores Carlos Lacerda e Ary Barroso divergiam. Lacerda queria que o estádio fosse em Jacarepaguá, queria poucos gastos com a obra. Já o famoso compositor pensava que o terreno do antigo Derby Club, no bairro do Maracanã, era o ideal. Mario Filho foi o maior entusiasta da construção do Maior do Mundo e concordava com Ary Barroso. Depois, o local que nasceu sob o nome de Estádio Mendes de Moraes (então prefeito do Rio de Janeiro) e conhecido como Estádio Municipal do
Derby, virou em 1966 o “Estádio Jornalista Mario Filho”, graças a Deus fincado no Maracanã.

Templo do futebol, um estádio de Reis

O Maracanã foi um dos grandes palcos da vida de Pelé. E você deve estar se perguntando como isso é possível se o jogador fez praticamente toda sua carreira no Santos, nos campos paulistas? A explicação é simples: os Deuses do futebol queriam. Para o melhor da história, estava reservado o maior do Mundo.

A trajetória de Pelé na seleção começa no Maracanã. Dia 07 de julho de 1957, o atacante tinha apenas 16 anos. A estreia foi na Copa Rocca contra a Argentina. O Brasil não jogou bem, perdeu de 2 a 1. Mas, advinha quem meteu o gol brasileiro? O Rei!

Foi da marca do pênalti do gramado do Maraca que Pelé correu e, com sua clássica paradinha, venceu o goleiro Andrada, do Vasco, e marcou o seu milésimo gol. A data, dia 19 de novembro de 1969. No total, Pelé jogou 97 jogos no Mario Filho e marcou 69 gols.

Anos mais tarde, o estádio conheceria um novo Rei, nascido na terra sagrada de Quintino. O menino Arthur Antunes Coimbra fez sua estreia pelo Flamengo no estádio. Vitória de 2 a 1 sobre o Vasco, em 1971. Na partida, deu o passe para o gol de Fio Maravilha. Ídolo máximo da maior torcida do Brasil, Zico é o maior artilheiro do Maracanã com impressionantes 334 gols em 435 jogos.

Certo dia, em 1979, os dois reis se encontraram em campo juntos com o manto do Flamengo. O Galinho cedeu a 10 para Pelé. O Maracanã merecia este encontro e viu o time rubro-negro golear o Atlético-MG por 5 a 1.

Na despedida de Zico do Flamengo, em 1990, o Maracanã chorou em uníssono. Há quem diga que o estádio ainda chora até hoje.

Um Anjo de pernas tortas

Se o Maracanã teve dois reis, teve também um grande anjo. Com suas pernas tortas e seus dribles sempre para o mesmo lado, Garrincha transformava todo marcador em um João. Passava como queria e fazia da sua arte, a alegria do povo. Encantou não só os torcedores do Botafogo, como todos os amantes do futebol. Em sua homenagem, um busto foi colocado na rampa de entrada pela Avenida Maracanã.

Um desfile de craques

Da inauguração até os dias atuais, os melhores do esporte trocaram passes no gramado do Mario Filho. O primeiro gênio, entre tantos, talvez tenha sido Zizinho. Nelson Rodrigues dizia que “bastava os alto-falantes do Maracanã anunciarem o nome de Zizinho para saber quem seria o vencedor da partida”. 

O estádio presenciou lendas. Viu o talento de Nilton Santos, as folhas secas de Didi, os gols de Dida. Puskas um dia veio jogar no Maracanã e encarou Evaristo de Macedo, perdeu.

Beckenbauer tomou um drible desconcertante de Pelé. Maradona quase fez um gol meio de campo na Copa América de 1989, mesma competição que viu nascer a dupla Bebeto e Romário. Rivelino comandou uma máquina. Roberto se consolidou como Dinamite por seus gols no Maraca. Messi foi vice da Copa do Mundo 2014 e Campeão da Copa América 2021.

Edmundo foi animal. Jairzinho, furacão. O Sócrates, assim como Rubens, foi Doutor. Renato, era gaúcho, virou carioca. Nunes decidiu. Assis e Washigton também. Bellini virou estátua. Dadá, Fio e Túlio, três Maravilhas!

Teve Rondinelli, teve Deus da Raça. Teve Ademir e sua queixada. Teve Bruno Henrique, Arrascaeta e Gabigol. Teve Junior Capacete, que foi de maestro a vovô garoto. Teve gol de Leandro do meio da rua. Teve Gerson Canhotinha. Teve Obina sendo melhor que Eto’o. Teve gol eterno do Pet. Teve Romerito e Geovani.

A lista é grande. Eusébio, Francescoli Di Stefano, Bobby Charlton, Mário Kempes, Platini, Rummenigge, Laudrup, Schmeichel, Ryan Giggs, Lampard, Rooney, Pirlo, Buffon, Iniesta, Xavi, Pogba, Griezmann e Benzema, Neuer, Klose.  Estas são apenas algumas lendas entre tantas outras. Escolha seus craques internacionais favoritos. Opção não falta.

Uma nova história

Em 05 de setembro de 2010, não houve gols no Maracanã.

Não havia motivos para comemorar, os deuses do futebol não permitiram a felicidade naquele dia. Flamengo e Santos ficaram no 0 a 0. Triste. Sem graça. O placar eletrônico dizia “Até logo”.

O estádio fechou e voltou diferente. Mais arena, menos concreto. Bateu o saudosismo, a nostalgia. Seria o fim? Jamais! Uma nova história começou a ser construída. Novos craques, grandes times, mais um Copa do Mundo, desta vez em 2014, Jogos Olímpicos, com ouro do Brasil no futebol, finais de Libertadores com Palmeiras  e Fluminenses campeões.

É o destino do estádio ser o maior do esporte. Talvez não mais em tamanho, porém, com certeza em aura, alma. 

No aniversário do Maracanã, todas as torcidas se unem: Tarzan do Botafogo, Sérgio Aiub do Fluminense, Dulce Rosalina do Vasco e Jayme de Carvalho do Flamengo. Geraldinos e arquibaldos se abraçam e cantam juntos: o Maraca é nosso, ahá uhú.

Disritmia

Posted: 25th abril 2025 by Denys Presman in Crônicas, Poesia
Tags:

(por Denys Presman)

Deixa bater no seu ritmo. Deixa fluir.
Não se impressione com a falta de jeito, o importante é que ele não pare.
Pois se parar, paramos todos.
Entenda que suas emoções desregulam seu mundo.
Falta de ar é sintoma.
Nós sentimos você e também perdemos o fôlego.
É o seu jeito.
Cativa. Impacta. Coagula. Abala.
Os olhos pequenos, puxados, compartilham um certo brilho. Iluminam.
Sorriso seu, sorrisos nossos.
O diagnóstico é sem trepidação, é pura cadência.
Embora reticente em pausas seu coração é sempre quente.
E não para!

Não é início

Posted: 18th abril 2025 by Denys Presman in Crônicas, Filosofia

Por Denys Presman

Não, não se começa algo com um não!

Negativo.

Não existe esta regra.

Não há nada que dite, ou limite, o horizonte do viver.

Não se deixe levar.

Não escute quem te trava.

Negue!

Não pense duas vezes.

Negue!

Não aceite!

Não faça, quer dizer, se não quiser, não faça.

Não é o outro que dita você.

Não é você também que dita o outro.

Não há criação sem liberdade, embora, que fique claro, não há pensamento sem troca.

Não é para não ouvir.

Não é para se fechar.

Não, pelo amor de Deus, não!

Negativo.

Não é nada disto.

Não deixe, apenas, que este não inicial trave possíveis finais na sua história .

Sim, é isso!