Escrita e sexo

Posted: 5th março 2026 by Denys Presman in Crônicas, Filosofia
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Por: Denys Presman

Eu sou um escritor e a escrita não paga minhas contas direito, não me oferece um copo d’água ou um boquete. A escrita é uma arte de merda.

A escrita não tem função na perpetuação da espécie humana. É biologicamente irrelevante.
Fez um soneto? Foda-se. Mas também, porra, sonetos são chatos pra um caralho. A propósito, fodam-se também os trovadores.

Fez um poema com maestria? Não, você não é um maestro. Maestros comem gente, a música se reproduz.

Fosse um pintor… a pintura engana, dissimula, seduz e induz a nudez. E com a nudez, o que vem? O sexo.
Agora vai botar a nudez em um texto e lá vem o rótulo de pervertido.

Envereda por um romance… entra nos sonhos dela. Acorda! Ela está apaixonada pelo personagem, pelo herói. Há uma barreira. Uma distância. Não é complexo entender que o escritor não toca na leitora.
Serenata come gente. Leitura leva a bocejos, ao sono. E quem dorme não transa.

A escrita muda mentes, constrói mundos, mas sexo? Acredite, se esperar por isso, vai morrer de sede.

Pensamento

Posted: 24th fevereiro 2026 by Denys Presman in Filosofia, frases

Inteligência é afrodisíaco, mas cultura entrega idade.

Na hora

Posted: 23rd fevereiro 2026 by Denys Presman in Crônicas

por Denys Presman

Passei a prestar atenção nas horas. Hora exata, hora par, hora ímpar, horas com números repetidos. Meio-dia, meia-noite, 11h11, 12h34, 34 pras 12.
E a conclusão a que cheguei é que, se alguém não quiser te responder, não importa a hora. Já o contrário depende da educação.

Aliás, dizem que tempo é um outro nome pra Deus. E este decretou o tal do livre-arbítrio. E aí, não tem tempo ruim. Quem quer pode dar corda e deixar as horas passarem até mesmo no vazio; quem não liga não precisa olhar para os ponteiros. E tem quem enlouquece com os alarmes programados da vida… não importa a hora.

Da fé

Posted: 20th fevereiro 2026 by Denys Presman in Filosofia
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Por Denys Presman

Eu sou da cura pois já tive o meu coração ferido. Sou amor por gratidão a quem me deu amor.
Sou uma sequência de trocas de erros e acertos.
Sou dor e aceitação pra ser paz e evolução.
Sou humano por encarnação.
Espírito por concepção.
Vivo pelo que preciso viver.
E aprendo o que se faz necessário pra caminhar no dia a dia.

Sou da justiça.
E vejo com clareza que justiça não é de juízes, julgamentos sim.
Sendo justo, não sou juiz.

Sou riso de criança.
Sou bagunça. Sou sereno.
Sou cheiro e borra do café.
Em razão, sou mandinga.

Admiro o choro que limpa,
A chuva que purifica,
O mar que traz o bem e joga sal dando fim ao sofrimento.
Bato cabeça para a inteligência ancestral.

Na mata virgem, a coragem está em todo canto e a força da água dos rios ainda trará suas riquezas pra mim.
Espero. Acredito.

Sou da rua, distraio, disfarço, tenho todas permissões para agir e trabalhar. Sou céu e sou terra.
Sou guardião das pequenas causas, de raro coração universal, capaz de doar indiscriminadamente.

Sou filho de quem me protege e tenho responsabilidade pelos que cuido.

Sou da vida, sou da morte.
Sou eterno.
Sou todas as histórias que vivi.
E todas que viverei.
Pra sempre e pra sempre.

Oração à rubro-negra

Posted: 17th fevereiro 2026 by Denys Presman in Crônicas, Poesia
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Por Denys Presman

Na escolha sagrada do manto de cada dia, não se faz santa, apenas se consagra.
E assim, em oração, que seja feita a sua vontade, seja na terra, seja no mar.

Não perdoa nossos devedores e paga, com sanha, todas as nossas dívidas. Mesmo as impossíveis.

No Maraca, choro, riso, devoção.
Seu dogma é vencer, vencer, vencer.
É festa.
No gol, é multidão.
É única! É povo… nação!

Trajada em rubro-negro, deixa o mundo menos preto e branco, pintando com um amor que não passa, e que nos apoia mesmo no nosso pior momento.

Ela não vive o Flamengo,
Ela é o Flamengo.

Assim como nós.
Amém.

Das cinzas, carnaval

Posted: 15th fevereiro 2026 by Denys Presman in Crônicas, Poesia
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Por Denys presman

Não há mais fantasia.
O som distante indica que a rua vive…carnaval.
E eu, carnal, não estou ali.
O pensamento descompassa arrastado. Atravessa. Não empolga.
Minha bateria se esconde no recuo.
E a rainha moça passa vibrando nos sambas de composições alheias.
Brilha para outras plateias.
Minhas marchas viram choro.
Não me sujo com confete, nem me embaralho com serpentina.
Não me misturo com a purpurina dela.
Estourou meu tempo.
Quarta-feira já está ali.
Quem sabe destas cinzas surjam novos carnavais.

(Contra) Contrarretrato

Posted: 10th fevereiro 2026 by Denys Presman in Autoretrato, Crônicas, Poesia
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Por Denys Presman

Cronista confuso camuflado como contista.
Cafajeste compassivo.
Canalha contencioso.
Carismático cotista.
Coerentemente confuso.
Crio cenários complexos com cenas cariocas. Conjecturas. Contemplações. Conversas.
Cervejas companheiras, cachaças cúmplices, coca-cola! Correligionários convictos com cadeiras cativas. Companheiros com causa! Cheers!
Caos com calma! Claudicante.
Cobiço cangotes cheirosos.
Carinhos coniventes, ciumentos, com compromissos confirmados.
Chamo-me cônjuge convicto.
Canalha? Cadê?
Classifico-me como conflitante com carteirinha carimbada.
Confecciono conexões consistentes com coração casado com correção.
Clamo, cismo com compromisso. Conduto, conduzo cabrochas coercivamente com cantadas. Conta como conquista? Conceitualmente conta. Conto! Correção: crônica.

Ela sabe

Posted: 8th fevereiro 2026 by Denys Presman in Crônicas, Poesia
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Por: Denys Presman

Falta algo ainda em você.
Incompleta, porém não imperfeita.
Não entende.
Não acredita.
E muitas vezes diz que não sabe.
Mas sabe…
Mas é…
é desejo.

Intriga pela composição: ruiva, leve, linda, sonsa. Moça!
Tem vontade.
Da vontade.
Que vontade!
Preciso falar que é de você?
Não falo.
Mas isso você sabe.
E muitas vezes diz que não sabe.

Seus sonhos não negam.
Eles te levam ao que falta.
Eles são perfeitos.
São completos.
As vezes apareço por lá.
Faz assim:
Só acorde depois que eu te faça sorrir, relaxar, sentir.
E sobre isso você sabe.
Não sabe?
Sabemos.

Chuva

Posted: 6th fevereiro 2026 by Denys Presman in Crônicas, Poesia
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Por Denys Presman

Limpa chuva.
Leve abaixo
Junto com o meu choro, com as minhas queixas,
O mundo que não me pertence mais.

Leve morro abaixo.
Aterre sentimentos com fundação frágil.
Escorra pelos canteiros e valas as sujeiras que fizeram comigo.
Despeje no fundo do oceano para que a Rainha do Mar cuide de mim.

Chova quando necessário.
Chova desavisada, sem previsões, chova pra mostrar que existe. Simplesmente chova.

Chova como alerta. Se for preciso, troveje.
Faça nos protegermos, fechar a janela para manter nossa casa seca.

Chova de dia, de noite e a tardinha. Chova por chover.
Chova pra nos mostrar que precisamos sempre ficar alertas.

Chuva, chove concentrada
Chove focada
Chove também em terreno fértil
Para cresça de novo a vida
Que precisa de tempos em tempos de um banho para refrescar.

E quando a noite escura passar
E a manhã chegar
Que o cheiro de terra inspire o dia de sol.

Juras

Posted: 5th fevereiro 2026 by Denys Presman in Crônicas, Poesia
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Por Denys Presman

Sem juras por hoje.
Juro!
Deixo o coração quieto e a caneta tampada.
Caderno fechado.
Aproveito que o computador pifou e as teclas estão caladas.
Juro que não irei ligar, gravar, nem tagarelar no celular, nem digitar ou até mesmo usar figurinhas ou emojis.
Declarar sentimentos? Hoje não.
Amanhã, talvez.
Sem promessas. Sem juras!
Ela não vai deixar de ser especial por uma pausa de um dia. Será?
Mas seria bom ouvir uma reclamação.
“Esqueceu de mim?”
Eu? Quem dera tivesse este controle.
Imagina desligar a incontrolável vontade de você.
Mas as juras não permitem esquecimento.
Só o tempo. E eu não tenho tempo, que passa à revelia.
Talvez um dia eu esqueça mesmo é de jurar.