Da fé

Posted: 20th fevereiro 2026 by Denys Presman in Filosofia
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Por Denys Presman

Eu sou da cura pois já tive o meu coração ferido. Sou amor por gratidão a quem me deu amor.
Sou uma sequência de trocas de erros e acertos.
Sou dor e aceitação pra ser paz e evolução.
Sou humano por encarnação.
Espírito por concepção.
Vivo pelo que preciso viver.
E aprendo o que se faz necessário pra caminhar no dia a dia.

Sou da justiça.
E vejo com clareza que justiça não é de juízes, julgamentos sim.
Sendo justo, não sou juiz.

Sou riso de criança.
Sou bagunça. Sou sereno.
Sou cheiro e borra do café.
Em razão, sou mandinga.

Admiro o choro que limpa,
A chuva que purifica,
O mar que traz o bem e joga sal dando fim ao sofrimento.
Bato cabeça para a inteligência ancestral.

Na mata virgem, a coragem está em todo canto e a força da água dos rios ainda trará suas riquezas pra mim.
Espero. Acredito.

Sou da rua, distraio, disfarço, tenho todas permissões para agir e trabalhar. Sou céu e sou terra.
Sou guardião das pequenas causas, de raro coração universal, capaz de doar indiscriminadamente.

Sou filho de quem me protege e tenho responsabilidade pelos que cuido.

Sou da vida, sou da morte.
Sou eterno.
Sou todas as histórias que vivi.
E todas que viverei.
Pra sempre e pra sempre.

Oração à rubro-negra

Posted: 17th fevereiro 2026 by Denys Presman in Crônicas, Poesia
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Por Denys Presman

Na escolha sagrada do manto de cada dia, não se faz santa, apenas se consagra.
E assim, em oração, que seja feita a sua vontade, seja na terra, seja no mar.

Não perdoa nossos devedores e paga, com sanha, todas as nossas dívidas. Mesmo as impossíveis.

No Maraca, choro, riso, devoção.
Seu dogma é vencer, vencer, vencer.
É festa.
No gol, é multidão.
É única! É povo… nação!

Trajada em rubro-negro, deixa o mundo menos preto e branco, pintando com um amor que não passa, e que nos apoia mesmo no nosso pior momento.

Ela não vive o Flamengo,
Ela é o Flamengo.

Assim como nós.
Amém.

Das cinzas, carnaval

Posted: 15th fevereiro 2026 by Denys Presman in Crônicas, Poesia
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Por Denys presman

Não há mais fantasia.
O som distante indica que a rua vive…carnaval.
E eu, carnal, não estou ali.
O pensamento descompassa arrastado. Atravessa. Não empolga.
Minha bateria se esconde no recuo.
E a rainha moça passa vibrando nos sambas de composições alheias.
Brilha para outras plateias.
Minhas marchas viram choro.
Não me sujo com confete, nem me embaralho com serpentina.
Não me misturo com a purpurina dela.
Estourou meu tempo.
Quarta-feira já está ali.
Quem sabe destas cinzas surjam novos carnavais.

(Contra) Contrarretrato

Posted: 10th fevereiro 2026 by Denys Presman in Autoretrato, Crônicas, Poesia
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Por Denys Presman

Cronista confuso camuflado como contista.
Cafajeste compassivo.
Canalha contencioso.
Carismático cotista.
Coerentemente confuso.
Crio cenários complexos com cenas cariocas. Conjecturas. Contemplações. Conversas.
Cervejas companheiras, cachaças cúmplices, coca-cola! Correligionários convictos com cadeiras cativas. Companheiros com causa! Cheers!
Caos com calma! Claudicante.
Cobiço cangotes cheirosos.
Carinhos coniventes, ciumentos, com compromissos confirmados.
Chamo-me cônjuge convicto.
Canalha? Cadê?
Classifico-me como conflitante com carteirinha carimbada.
Confecciono conexões consistentes com coração casado com correção.
Clamo, cismo com compromisso. Conduto, conduzo cabrochas coercivamente com cantadas. Conta como conquista? Conceitualmente conta. Conto! Correção: crônica.

Ela sabe

Posted: 8th fevereiro 2026 by Denys Presman in Crônicas, Poesia
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Por: Denys Presman

Falta algo ainda em você.
Incompleta, porém não imperfeita.
Não entende.
Não acredita.
E muitas vezes diz que não sabe.
Mas sabe…
Mas é…
é desejo.

Intriga pela composição: ruiva, leve, linda, sonsa. Moça!
Tem vontade.
Da vontade.
Que vontade!
Preciso falar que é de você?
Não falo.
Mas isso você sabe.
E muitas vezes diz que não sabe.

Seus sonhos não negam.
Eles te levam ao que falta.
Eles são perfeitos.
São completos.
As vezes apareço por lá.
Faz assim:
Só acorde depois que eu te faça sorrir, relaxar, sentir.
E sobre isso você sabe.
Não sabe?
Sabemos.

Chuva

Posted: 6th fevereiro 2026 by Denys Presman in Crônicas, Poesia
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Por Denys Presman

Limpa chuva.
Leve abaixo
Junto com o meu choro, com as minhas queixas,
O mundo que não me pertence mais.

Leve morro abaixo.
Aterre sentimentos com fundação frágil.
Escorra pelos canteiros e valas as sujeiras que fizeram comigo.
Despeje no fundo do oceano para que a Rainha do Mar cuide de mim.

Chova quando necessário.
Chova desavisada, sem previsões, chova pra mostrar que existe. Simplesmente chova.

Chova como alerta. Se for preciso, troveje.
Faça nos protegermos, fechar a janela para manter nossa casa seca.

Chova de dia, de noite e a tardinha. Chova por chover.
Chova pra nos mostrar que precisamos sempre ficar alertas.

Chuva, chove concentrada
Chove focada
Chove também em terreno fértil
Para cresça de novo a vida
Que precisa de tempos em tempos de um banho para refrescar.

E quando a noite escura passar
E a manhã chegar
Que o cheiro de terra inspire o dia de sol.

Juras

Posted: 5th fevereiro 2026 by Denys Presman in Crônicas, Poesia
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Por Denys Presman

Sem juras por hoje.
Juro!
Deixo o coração quieto e a caneta tampada.
Caderno fechado.
Aproveito que o computador pifou e as teclas estão caladas.
Juro que não irei ligar, gravar, nem tagarelar no celular, nem digitar ou até mesmo usar figurinhas ou emojis.
Declarar sentimentos? Hoje não.
Amanhã, talvez.
Sem promessas. Sem juras!
Ela não vai deixar de ser especial por uma pausa de um dia. Será?
Mas seria bom ouvir uma reclamação.
“Esqueceu de mim?”
Eu? Quem dera tivesse este controle.
Imagina desligar a incontrolável vontade de você.
Mas as juras não permitem esquecimento.
Só o tempo. E eu não tenho tempo, que passa à revelia.
Talvez um dia eu esqueça mesmo é de jurar.

Choro contido

Posted: 1st fevereiro 2026 by Denys Presman in Crônicas
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Por Denys presman

A vi triste.
Havia choro contido.
Os olhos pretos derretiam em mel.
Seu lábios trajavam a farda de carcereiro.
Sorrisos trancafiados.
Tudo quieto. Não havia silêncio. Havia surdez para as esperanças prometidas.
Pior que não acreditar é não querer acreditar.

Mas ela não estava errada. Estava abatida. Sofrida. Ganhar batalhas, perder batalhas… Cadê o fim da guerra?
Não veio, não vem, não existe.

Cada dia se engole o choro. Se faz fortaleza, se fortalece. Busca força no olhar de quem faz o seu olho brilhar. O mel é doce. O preto é infinito. Um barulho explode. Ela não está só! Acredita! Quer acreditar! É real! É aliança! E assim, foge o sorriso e vem razão: trabalhar, conquistar, amar, ser feliz.

“Sorriso-riso”

Posted: 19th janeiro 2026 by Denys Presman in Crônicas
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por: Denys Presman

Engraçada! Sim, é dela o “sorriso-riso”, rindo de bobeira da bobeira própria ou alheia. Engraçado mesmo é quem não sorri de volta. Não é rir. É sorrir. Pois o gracejo dela encanta.  

Nutre aversão tímida a elogios. E assim, cora. Vermelha, responde com sua essência: com risos. Provavelmente nervosos. Entende que é galanteio. Entende que está sempre sujeita a cantadas. E ao invés de dizer sim ou não simplesmente solta um Pskwowkwokw. E segue adiante, deixando a todos na vontade dela.

Vive batalhas. Mas sabe que verso não é espada e ela – embora disputada -não é da disputa. É conciliação. É abraço que se espera. Que rende. É beijo que se quer dar. É loucura comedida de quem quer viver muito para a próxima história.

E quando o sorriso baixa, o olho brilha. O de todos.  

Descarinho

Posted: 19th janeiro 2026 by Denys Presman in Crônicas, frases, Poesia
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por Denys Presman

O descarinho é uma medida do foda-se.
É vizinho de porta do descaso e primo irmão do desleixo. Descuido de tantas maneiras. É dessabor.

É acordo quebrado. É dar espelho por riquezas. É feio. É triste.
É, acima de tudo, pouco.

Quem pouco dá, uma hora também deixa de receber, em um ciclo de ação e reação que só leva a karma.

E pasmem, para karma não existe lei do foda-se. Existe apenas carinho.