Por: Denys Presman

Eu sou um escritor e a escrita não paga minhas contas direito, não me oferece um copo d’água ou um boquete. A escrita é uma arte de merda.
A escrita não tem função na perpetuação da espécie humana. É biologicamente irrelevante.
Fez um soneto? Foda-se. Mas também, porra, sonetos são chatos pra um caralho. A propósito, fodam-se também os trovadores.
Fez um poema com maestria? Não, você não é um maestro. Maestros comem gente, a música se reproduz.
Fosse um pintor… a pintura engana, dissimula, seduz e induz a nudez. E com a nudez, o que vem? O sexo.
Agora vai botar a nudez em um texto e lá vem o rótulo de pervertido.
Envereda por um romance… entra nos sonhos dela. Acorda! Ela está apaixonada pelo personagem, pelo herói. Há uma barreira. Uma distância. Não é complexo entender que o escritor não toca na leitora.
Serenata come gente. Leitura leva a bocejos, ao sono. E quem dorme não transa.
A escrita muda mentes, constrói mundos, mas sexo? Acredite, se esperar por isso, vai morrer de sede.








