Não sei se vocês se tocaram, mas em 2010 um acontecimento mudou a história do futebol.

Chega a ser esquisito não ter repercutido. Nenhum jornal brasileiro ou estrangeiro deu manchete. Nem uma notinha de pé de página. Nada.

Nem no Jornal Nacional, nem no jornal de bairro. Nada.

Foi na surdina.

O Maracanã disse adeus ao futebol.

E ninguém falou nada

Ninguém gritou “Não pode”.

Ninguém ficou na frente do estádio tentando impedir a tragédia.

Ninguém nem viu.

Foi na surdina.

A gente acreditou em um conto de fadas. Em mais uma grande apoteose para o maior do mundo.

Falaram em modernização.

Falaram em ser final da Copa de 2014.

E a gente caiu na lábia.  Como menina bobinha na mão de um cafajeste.

Ninguém fez nada.

Ninguém disse:

– Gente, para tudo. Quem quer Copa do Mundo se isso custar a nossa a história? É necessário ser assim? É necessário demolir o estádio?

Do lado de fora, ele continua imponente.

Grandioso. A fachada foi mantida. Ficou na carcaça. Mas pelo menos ficou de pé.

Ninguém se mexeu. Era realmente necessário?

O fato é que… o fato dói.

Sabe o Maracanã que jogou Pelé, que jogou Garrincha, que jogou o Zico?  Sabe???

Pois é, não existe mais. Do Maracanã, do Mário Filho, do maior do mundo, do templo maior do futebol,  ficou apenas o esqueleto.

Ficou a fachada. O conteúdo se foi.

As arquibancadas que tremeram com Flamengo, Vasco, Fluminense, Botafogo e com a seleção Brasileira, foram ao chão. E ninguém viu. Não ecoou.

As torcidas ficaram apáticas. Não há dúvidas: foi o maior silêncio da história do Maracanã.

Ninguém soube.

As crônicas, os dribles, os lançamentos, os craques e as multidões viraram definitivamente lembranças. Memória.

Daqui pra frente sobra apenas o discurso. As futuras gerações vão ouvir.

–  O Maracanã era de arrepiar. 100 mil, 200 mil, 250 mil pessoas. Pena que você não viveu esta época. O antigo estádio, meu Deus…

Pena.

Faltou compaixão.

Negaram até mesmo uma última glória. Um último aplauso.

Um jogo de despedida.

Wembley teve seu último ato, sua última reverência.

Ao Maraca nem um último cigarro foi oferecido.

Um jogo final, para que o público, a bola, os jogadores, todos pudessem dizer obrigado.

Obrigado, até isso faltou.

Agora só resta torcer por uma nova história. Por uma refundação em 2014. A sombra do passado é grande, mas o amor pelo Maraca é maior.

Pena que não dá para voltar atrás. Pena.

** Denys Presman é jornalista e brasileiro

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Instinto!

Posted: 21st dezembro 2010 by Denys Presman in Poesia
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Não quero mais pensar.

Não quero mais pensamento.

Quero instinto

E insisto nisso.

Numa reação carnal.

Tribal.

Ancestral.

Mas, infelizmente, ainda racional.

Não quero mais!

Quero diferença!

Mudança!?

Odeio mudança…

Odeio poesias caóticas…

Ingrata mente pensativa….

Racionaliza e classifica minha poesia.

Quero rimas….

Quero tudo pouco pensando…

Pouco intelectualizado….

Longe do racional….

Com roupas rasgadas

palavras perdidas

encaixadas…..

Tudo muito repentino,

quase que por acaso.

Quero pensamentos de momento…

Quero poucos momentos de pensamento…

Viver o instinto…

Perder me em palavras instantâneas.

Dissolvidas em água.

Quero a falta de sentido…

Sentimentos irracionais…

Incontroláveis…

Fico perdido no meu mundo de lógica.

Que como todos os mundos será destruído por algum cometa…

Ou por uma nova personalidade.

Eu anseio por uma catástrofe instintiva!

Que venha!!

*Denys Presman é jornalista e brasileiro

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Fim

Posted: 19th dezembro 2010 by Denys Presman in Poesia
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Este é meu fim.

Só um barulho,

no meio da noite,

prova que há vida.

O vento frio

levou meu destino

longe de mim.

Sinceramente,

eu não vivo mais.

Este é meu fim.

*Denys Presman é jornalista e brasileiro

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Vai um chope?

Posted: 17th dezembro 2010 by Denys Presman in Crônicas, Poesia
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Um rapaz, bem apessoado, entra num boteco.

Uma moça, muito bonita, entra também.

Ele olha para ela.

Ela olha para ele.

Os dois entreolham-se.

– Seria um sinal ? – pensa ele.

– Ele vai me cantar – pensa ela.

Olhando para o lado, ele pisca.

Olhando para frente, ela sorri.

Ele ri.

Ela para.

Ele fala:

– Vai um chope?

Educadamente ela responde:

– Não, obrigado.

– Nem uma Coca?

– Não bebo Coca.

Ele para, ele pensa, ele fala:

– Já sei. Você não quer conversar comigo.

Os dois entreolham-se.

Olhando para o lado, ela pisca.

Olhando para frente, ele sorri.

Ela ri.

Ele para.

Ela fala:

– Não, não quero falar contigo.

*Denys Presman é jornalista e brasileiro

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Motivações

Posted: 16th dezembro 2010 by Denys Presman in Crônicas
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Era uma menina linda ali sentada. Sua beleza era tamanha que até  deprimia. Um homem normal, mortal, nem bonito nem feio, jamais pensaria em ter alguém como ela. Mas por via das dúvidas, não havia porque eu não puxar assunto.

 

–         Oi, tudo bem? Machucou o que?

–         A coxa. Acho que distendi a coxa.

–         Poxa, a coxa? E como foi isso? Caiu? Deu jeito?

–         Foi correndo.

–         Correndo???

–         Sim, sabe, eu corro e nado.

–         Corre e nada!?

–         Sim, 15 quilômetros por dia. De casa ao clube. Lá eu nado.

 

Nem todo homem sabe o que fazer com uma mulher, imagine com uma que corre 15 quilômetros por dia. Quinze!!!! Quinze!!! Não sei se repetindo vou me acostumar com o número. Mas…. entende! São 15 quilômetros por dia. Não vejo a motivação.  Com estas coisas sou muito prático. Tudo na vida tem uma motivação, a maioria delas é lógica. Eu, por exemplo, por mais que não acreditasse ficar com aquela garota linda, fui lá e conversei. Puxei assunto em nome da minha motivação, do meu objetivo: o sexo, é claro!

E digo isso sendo um moderado. Tenho um amigo que acredita que tudo que um homem faz num dia é por um boquete no fim deste mesmo dia. Que esta é a lógica do mundo. Não é dinheiro, não é família, é o boquete! Que a motivação de indivíduos, governos, sociedades, pátrias, que todos estão apenas atrás de sexo.  E quando se consegue isso, busca-se a qualidade: um boquete melhor. É um ciclo sem fim que envolve guerras e  até mesmo atos impensados e desesperados com flores e bombons.

Tudo é uma questão de motivação. Repito: 15 quilômetros. A minha motivação só podia ser sexo. Mas e a dela? O que faz uma menina maravilhosa, uma tremenda gostosa, correr os 15 quilômetros. Sexo também? Não acredito. Há quem diga que mulheres não têm a mesma necessidade física por sexo que os homens têm. Talvez…. Mas, irrelevante. Então, descontextualizando….. o que faz alguém correr 15 quilômetros por dia? Penso que a motivação seja diminuir sempre o tempo de percurso.

–         Ufa!!! Fiz em apenas 58 minutos hoje. Dois minutos melhor que ontem!!! Dois minutos!!!!!!!! Se aquela velhinha não me atrapalha!!!

–         Mas foi bom, muito bom o seu tempo.

–         Amanhã espero ganhar de  três a cinco minutos!!!

 

Motivação de baixar o tempo do percurso. Isso eu não entendo… Por mais que se corra, por mais que se baixe o tempo, ninguém nunca vai chegar ao zero, correr 15 quilômetros em zero minutos é impossível! Pra quê correr mais rápido, então? Melhorar três a cinco minutos? Pra fugir de ladrão? Ladrão usa arma. E bang!!! Pra fugir de polícia? Polícia também usa arma. Pra cometer pequenos assaltos? Vá roubar velhinhas… velhinhas têm sempre dinheiro e não correm nada! Não entendo? Não é por sexo. Correr 15 quilômetros pra encontrar o parceiro? Não vale mais a pena pegar um ônibus? Pelo menos não chegaria suado e sem disposição.

Falta lógica. Diminuir o tempo. Não faz sentido. Corredores, não os entendo. É diferente o caso de quem nada. Baixar o tempo na piscina. Sempre há um porquê. E quase sempre é o medo!  Nadar mais rápido para não morrer afogado é um deles. Mas suponho que quem vai a piscina, pratica a natação e quer baixar tempos deve saber, com quase 100 por cento de chances, como nadar. Então, se não é por medo de se afogar é por medo de que?

–         Tubarão!!!

–         O quê??? Tubarão???

–         Tubarão!!!

–         Homem, pára de ficar repetindo!! Você bateu o recorde!!!

–         Tubarão!!!

–         Vai falar isso pra imprensa? Vai falar isso quando te perguntarem o que sentiu ao bater o recorde sul-americano?

–         Meu, é como a Margô me chama! Tubarão!!! Vou dedicar este recorde pra ela!!!

É, sexo! Tudo pelo sagrado boquete do fim do dia….

** Denys Presman é jornalista e brasileiro

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Engano seu, moça

Posted: 14th dezembro 2010 by Denys Presman in Poesia
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Olhar belo, distante, com um preto forte, de brilho inconstante.  Sorriso escondido e controlado, que apenas revela o que pode ser revelado.  Usa franja marota. Engana…

Engana…
Engano seu, moça.
Quem quer, vê…
Revê…
Entende…

Procura de novo o sorriso. Acha você. Inteira, pequena. Do tamanho que devia ser.  Sempre delicada. Forte. Buscando crescer.
Ainda não sabe o que é.
Diz que já foi.

Tem medo e enfrenta.
Por segundos, seu olhar brilha… ofusca.  Depois você lembra. Esqueça!
Esqueça!
Deixa apenas a franja  e, com rosto corado,  vá viver feliz.

** Denys Presman é jornalista e brasileiro

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Do Sentido Das Coisas

Posted: 14th dezembro 2010 by Denys Presman in Crônicas
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Aí eu morri e fui pro céu. Diante de Deus, tento me explicar.

– Sim, fiz tudo que deveria ter feito. Bom, se fui feliz? E isso é importante?

Senti um pouco de desapontamento na expressão divina. Será que tinha feito algo errado? Acuado, retruquei.

– Era isso que era para fazer, não era?

Deus não falou nada. Neste momento, acho que um anjo, ou algo do gênero, me chamou para um canto. Pensei: Ele não ficou satisfeito com minha vida. Nisso, o anjo respondeu: – Pois é, não ficou. E, a propósito, aqui todo mundo sabe ler pensamento.

Não sabia o que era pior, se Deus, o todo poderoso senhor do universo, ter ficado bravo comigo ou descobrir que neste tal de céu não havia privacidade. E mais uma vez, fui interrompido. Era o anjo. Me reprovou com olhar, que foi o suficiente para eu calar meu pensamento.

Fui levado a algum canto. Uma sala, uma nuvem, sei lá… fiquei esperando. Não entendia o propósito daquilo tudo. Mas, acho que nem na minha fantasia mais megalomaníaca eu chegaria ao céu falando com próprio Deus. Quer dizer, ok… em algumas fantasias eu era o Deus…. porém, ter esta intimidade de ser reprovado pela vida que levei? Era como se um professor de colégio, um professor de física, estivesse reclamando de uma prova que fui mal, dizendo que eu devia tentar de novo. Deus não disse nada… ficou apenas me olhando.

Daí voltou o anjo. Me disse que não ficasse preocupado que tudo ia correr bem. Eu ainda fiz a piada ruim dizendo que meu destino estava nas mãos de Deus. O anjo riu com o sorriso amarelado. Acho que seres divinos não têm permissão para nos deixar sem graça. Eu já estava ficando entediado. O anjo percebeu isso e me esclareceu tudo com uma frase: “Você nunca entendeu nada.”

Pois é… a verdade era essa. Nunca entendi nada, nem o que o anjo queria me dizer. Foi quando Deus mandou me chamar. Olhou pra mim, pensei que ia falar algo, entretanto, não falou. Fiquei nervoso. Queria uma cerveja. Mas achei que o protocolo não permitiria. Então desandei a sorrir e a tagarelar.

– Bom, este é o céu, né? O que há de bom por aqui? Tá certo, tudo que há de bom está aqui.

O anjo sorriu amarelado novamente e repetiu:

– Você nunca entendeu nada.

Agora, o sorriso amarelo era meu.

– E o que faço?

– Volta, ama e seja feliz.

Daí, não sei dizer o que aconteceu. Tudo ficou meio nublado e percebi que Cecília tinha me socorrido. Foi assim que nos conhecemos. Mas acho que outros casais devem ter histórias melhores.

 

** Denys Presman é jornalista e brasileiro

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Sobre a escrita

Posted: 14th dezembro 2010 by Denys Presman in Crônicas, Poesia
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Deus criou o mundo, o universo, o homem. Um faz-de-contas tão bem elaborado que apenas artistas conseguem recriar. O escritor, um caso a parte, não contesta o mundo, não contesta Deus, ele apenas se diverte. Escreve, inventa e conta. O que fez Deus? Uma coisa maior. Inventou o sentir, basicamente na figura do amar e do sofrer. Mais que isso, deu a escrita ao homem. Como ele fez? Digo apenas que não existe escrita sem sentimento.

Sim! Foi na possibilidade de sofrer que as primeiras linhas foram escritas. Depois, com o tempo, aprendeu-se também a escrever na alegria. Mas a escrita ainda é em essência uma ciência triste. De pessoas que sofreram por amores não correspondidos e que colocaram toda sua paixão em meia dúzia de palavras.

Este é um texto para ser triste. Um texto brusco formado apenas pelo sentimento primordial que é matéria-prima da escrita. Um texto que não chora porque não sabe chorar. E que termina por aqui…. na metade… sem um fim próprio… mas tendo como próprio o fim de todos os tristes: a eterna vontade de acabar.

** Denys Presman é jornalista e brasileiro

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Grosseria

Posted: 13th dezembro 2010 by Denys Presman in Crônicas
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Existe uma certa beleza na grosseria. Algo que as pessoas não entendem a primeira vista. É uma clareza de raciocínio, é uma objetividade nas ações. A grosseria não tem meio termo. Quando quer, quer pra caralho, e quando não quer, vai tomar no cu. Recado dado e pronto. É a linguagem mais simples do mundo.

E não pára por aí. Alguém já viu um grosseirão mentir? Pessoas grosseiras não mentem. Sim, é uma afirmativa: a honestidade é um aspecto da grosseria. Aliás, muito utilizada nas conquistas amorosas.

Um grosseirão vê uma menina bonita, olha para ela, chega perto, e mostra toda a sua sinceridade:

– Ô “duçura”, coisa fofa do papai, você é tão linda que me deixa de pau duro.

(É isso mesmo? É!) Percebam a sinceridade na sentença. A preocupação em ser doce com seu objeto de desejo, sem ser falso com seus objetivos. Toda a delicadeza da grosseria. A maneira como ele tenta adjetivar a sua musa e a franqueza como demonstra suas emoções. E ainda assim, é mal entendido, leva um tapa cara. Como se não tivesse sentimentos.

– Sentimento é o caralho, tá me estranhando?

Ou como se ela, a menina, a “duçura”, a coisa fofa, também não tivesse apetite sexual, um tremendo apetite sexual. Quem foi cínico na história? Quem omitiu suas vontades?

Em mundo mais equilibrado e mais honesto a grosseria seria ensinada nas escolas. Seria passada de pai para filho. Haveria cartilhas e dicas de como ser pro ativamente grosseiro. A sinceridade estaria em toda parte.

– Oi tudo bom?
– Não, minha mãe morreu.
– Foda-se, não conhecia a velha.

Seria o fim das falsidades, dos elogios vazios, dos papos chatos. Sempre haveria uma saída, e seria socialmente aceita. Isto é o melhor tudo, é que se este mundo não desse certo, a gente poderia sempre mandá-lo para a casa do caralho.

** Texto originalmente publicado no site Bom dia porquê?

** Denys Presman é jornalista e brasileiro

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A Queda

Posted: 13th dezembro 2010 by Denys Presman in Crônicas
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Eu estava naquele livro. Já estava tomando uísque. Não era o mesmo uísque. Pelo menos algo havia mudado na cena em questão: minha dosagem alcoólica. Isso, lógico, na ótica do leitor.

Minhas reações, porém, poderiam ser consideradas as mesmas. Lentas. E os motivos de eu estar ali vendo o tempo passar ainda me fugiam ou não me importavam.

Percebi que tocava uma musica, talvez sempre tivesse tocado. Mas pelo meu tédio atribui o som a parte do cenário.

O barman sorria ao me ver ali. A cada página devorada pelas dezenas de leitores, seu bolso aumentava. Sempre fui bom em gorjetas.

Pequena pausa. Novo looping na musica. As mesmas pessoas entram no bar. Começam a reler a mesma pagina. Tédio. Estou vivendo a mesma situação. Não tenho controle. É a vida.

** Denys Presman é jornalista e brasileiro

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